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11 de Maio, 2022

Os problemas da nova transição energética no mundo

Desde que eu estava na escola, a questão ambiental já era muito abordada pela sociedade, com a conscientização da geração que estava por vir.

Incentivos à reciclagem, economia de água e energia elétrica, substituição das sacolas plásticas por ecobags, multas por jogar lixo no chão, substituição de canudos de plástico por outros materiais biodegradáveis e muitas outras iniciativas já eram realizadas em prol do que hoje chamamos de ESG, a sigla que se refere às questões ambientais, sociais e de governança corporativa.

Segundo a iniciativa Pacto Global da ONU, a sigla foi criada em 2004 em uma publicação da instituição em parceria com o Banco Mundial, chamada “Who Cares Wins” (algo como “Quem se Importa Vence”). Surgiu de uma provocação do então secretário-geral da ONU Kofi Annan a 50 CEOs de grandes instituições financeiras sobre como integrar fatores sociais, ambientais e de governança no mercado de capitais.

Ao longo dos últimos anos, empresas e nações têm cada vez mais tentado integrar às suas práticas as questões sustentáveis. Um dos grandes temas sempre discutidos, inclusive, é a geração de energia com menor emissão de carbono. O objetivo é utilizar principalmente energias renováveis como forma de diminuir a emissão dos gases que causam o efeito estufa e suas consequências nas mudanças climáticas.

Para isso, o mundo tem discutido muito o tema da transição energética: a substituição do petróleo e carvão por energias renováveis com objetivo de reduzir as emissões de carbono na atmosfera. E essa não será a primeira vez que o mundo passará por isso.

Ao longo dos últimos 200 anos, o mundo passou por duas transições energéticas, e agora nós estaríamos vivendo a terceira transição. Segundo artigo da empresa especializada em dados Visual Capitalist, com a utilização de números da plataforma “Our World In Data”, a primeira transição ocorreu na Primeira Revolução Industrial, no final do século 18 e início do século 19.

Nos séculos anteriores a ela, as pessoas utilizavam lenha e carvão vegetal para aquecer as casas e cozinhar alimentos, dependiam da força humana ou dos moinhos de água e vento para moer grãos, enquanto o transporte era realizado por tração animal.

Quando os preços da lenha e do carvão vegetal dispararam em função da sua escassez, países industrializados, como Reino Unido por exemplo, precisavam de uma nova fonte de energia que fosse barata e abundante. Foi nesse momento que o carvão mineral entrou em cena e a primeira grande transição aconteceu.

A segunda transição ocorreu no início do século 20, com o início da produção em massa dos veículos automotores que utilizam combustíveis fósseis (petróleo). Simultaneamente, a utilização do gás natural também passou a ser uma das principais fontes de energia para aquecimento das residências. Ou seja, o carvão mineral perdeu espaço tanto para o gás na produção de eletricidade quanto para o petróleo em relação a transporte. Entretanto, o carvão ainda corresponde a um terço da geração de energia elétrica do mundo hoje.

Atualmente, a discussão da transição energética passa pela substituição dos combustíveis fósseis e carvão mineral por fontes de energia renovável e menos poluentes. No ano passado, no último encontro da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-26), a principal cúpula da ONU para debate sobre o tema, 40 nações concordaram em retirar o carvão mineral de suas matrizes energéticas.

Entretanto, a geração de energia elétrica com utilização do carvão mineral cresceu 9% em 2021, marcando o que seria a maior porcentagem desde 1985, e a principal razão para isso é o custo. Ainda hoje, o carvão mineral é a fonte de energia mais barata do mundo.

Segundo o artigo da Visual Capitalist, a China é a maior consumidora de carvão mineral do mundo, representando 54% da geração de energia elétrica através dessa fonte. Junto à Índia, os dois países correspondem a 66% do consumo total do mundo e a 35% da emissão de gases de efeito estufa em termos globais.

O que está acontecendo na transição atual?

De acordo com o Relatório do Global Energy Monitor (GEM), com meta de alcançar a neutralidade de carbono até 2060, a China planejou seu pico de emissões antes de 2030, mas a incerteza geopolítica desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia tem feito os países reavaliarem seus prazos.

Alguns especialistas dizem que o conflito no leste europeu pode acelerar a transição energética para fontes mais limpas, mas que no curto prazo o efeito é inverso. A Europa hoje é altamente dependente do gás natural russo para a produção de energia (aproximadamente 40% do total). Os governos dos países europeus que hoje encabeçam a agenda de descarbonização do mundo estão neste momento focados na segurança energética. Não à toa, as importações de carvão no continente cresceram cerca de 56% em janeiro em relação a janeiro de 2021.

As projeções da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) estimam que a demanda por petróleo ainda vai aumentar pelo menos até 2045 para garantir a segurança energética no período de transição para outras matrizes.

Ainda é cedo para prever o que vai acontecer, mas aparentemente a nova transição com o objetivo de neutralidade de emissões de carbono até 2050 pode sofrer alguns atrasos em relação à meta estabelecida em acordos internacionais.

A velocidade com que a transição será alcançada vai depender de um equilíbrio complicado entre os cortes nas emissões de carbono e a manutenção do crescimento econômico. Crescimento esse que ainda possui grande dependência do carvão e do petróleo.

FONTE: www.invistaspit.com.br

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