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24 de Setembro, 2021

O VALE DO SILICIO DA BIOECONOMIA

Mesmo perante uma crise global de saúde pública sem precedentes, que atraiu a atenção de todos nós para os impactos causados pela pandemia do novo coronavírus, a pauta do meio ambiente nunca deixou de estar na agenda prioritária de empresas, investidores, associações e grandes líderes mundiais.

Isto porque, olhando para um cenário além da COVID-19, estamos diante de uma perspectiva de criação de modelos de negócios muito mais resilientes e que se beneficiam da enorme oportunidade de uma economia verde, com potencial de ser um vetor de crescimento econômico de altíssima qualidade.

O Brasil, por suas diversas características, exerce de forma inata um protagonismo singular no contexto atual. Além de ter em seu território um dos biomas mais abundantes em biodiversidade do mundo, contamos com uma das matrizes energéticas mais limpas entre as nações de grande extensão territorial, sendo que quase 50% da energia consumida por aqui provém de fontes renováveis – considerando a energia elétrica, esse índice chega a 80%.

Com base no baixo custo marginal das energias renováveis, o Brasil tem potencial para explorar a commodity do futuro: o hidrogênio verde. O Governo Federal tem dado importantes passos em direção a esse potencial com o estabelecimento do Programa Nacional do Hidrogênio, que busca definir um conjunto de ações – envolvendo políticas públicas, tecnologia e mercado – que possibilite o desenvolvimento de uma economia de hidrogênio.

Entretanto, ao lado de dados tão positivos, permanece uma constatação incômoda. A imagem do Brasil no exterior ainda é de que o País não tem endereçado questões como queimadas e desflorestamento com a devida diligência. Isso é deletério e se dá em um momento particularmente propício à atração de investimentos internacionais. Fatores
somados, como os juros baixos na maioria dos países, o avanço das reformas estruturais no Brasil e o aumento da segurança jurídica, deveriam favorecer a injeção de recursos estrangeiros em diversos setores da nossa economia. No entanto, a imagem externa do País pode se tornar um entrave a esses aportes. Em grande medida, acionistas de empresas globais e fundos de investimentos rejeitam a possibilidade de financiar projetos em uma nação que falha em cuidar de seus próprios recursos naturais. Para além da imagem internacional, o maior perdedor da continuada destruição de nossas florestas é o próprio Brasil, visto que a ruptura dos regimes de chuvas está ocasionando a maior seca dos últimos 91 anos, afetando justamente nossa capacidade de produzir alimento e energia.

Na véspera da COP-26, tornam-se mais urgentes ações para evitar o aquecimento global além de 1,5° C em comparação com o período pré-industrial. Como prevenção, diversas empresas no Brasil já adotaram medidas para reduzir e compensar as emissões de gases de efeito estufa (GEE), estabelecer precificação interna de carbono, descarbonizar operações e cadeias de valor e investir em tecnologias verdes, enquanto estabelecem metas ambiciosas de neutralidade climática até 2050. É nesse cenário que 80 CEOs de grandes empresas assinaram o Posicionamento do Setor Empresarial Brasileiro, que foi entregue pelo CEBDS ao Presidente da COP-26, Alok Sharma, reconhecendo suas responsabilidades na transformação da economia de baixo carbono e cobrando alta ambição das metas brasileiras.

Essa visão externa das práticas brasileiras tem se consolidado ao longo dos últimos tempos e pode se agravar no mundo pós-pandemia, que dará preferência para cadeias de valor sustentáveis, rastreando a origem do que consome e rejeitando produtos advindos de regiões que desrespeitam o meio ambiente e os direitos humanos. Precisamos estar prontos para competir em uma economia de integridade, na qual consumidores e investidores, cada vez
mais, irão dar preferência para cadeias éticas de valor.

Dessa forma, é necessário fomentar medidas positivas dentro da agenda ambiental. O conjunto de ações que empresas e entidades, muitas vezes em parceria, têm realizado em direção a uma economia mais sustentável, como a carta encabeçada pelo CEBDS para pedir providências contra o desmatamento na Amazônia, é um dos caminhos para o fomento de um diálogo constante entre governo, iniciativa privada e sociedade em prol do desenvolvimento sustentável.

Também nesse aspecto, o Brasil tem um grande exemplo a compartilhar. O Renovabio, política nacional de biocombustíveis do Governo Federal, é o maior programa de precificação de carbono do mundo. As empresas têm a oportunidade de aprender com essa experiência, aproveitar essa referência, colocar o conceito em prática e fazer negócios a partir disso.

Além de estabelecer um canal de discussão que promova o desenvolvimento de iniciativas sustentáveis, as empresas também devem contemplá-las em seus objetivos de negócios. O conceito de descarbonização já é estratégico para muitas companhias, que percebem progressivamente a máxima “negócios verdes são negócios excelentes”.

Na busca por processos que liberem cada vez menos gases nocivos para a atmosfera, muitas companhias também já incorporam tecnologias que resultam em maior eficiência e produtividade, produzindo mais com os mesmos insumos e impactando diretamente o sucesso dos seus negócios. Afinal, ao fazer investimentos em ativos ou contratar serviços com alta tecnologia embutida, consequentemente pavimentam o caminho para seu crescimento sustentável.

O ESG (environmental, social and corporate governance) não é um tópico necessariamente novo, mas que tem ganhado cada vez mais protagonismo, fruto de uma mudança de cultura que vem se fortalecendo ao longo dos anos diante da perspectiva de escassez de recursos naturais. A sociedade tem se mostrado atenta ao tema e grandes fundos de investimento já demandam um posicionamento contundente por parte das empresas, não somente no
discurso, mas também nas ações.

FONTE: CEBEDS

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